Em resumo
No Algarve, as oliveiras podam-se entre fevereiro e março, depois do risco de geada e antes da floração. A poda abre o centro da árvore em forma de taça, retira ladrões e madeira seca e nunca corta mais de um quarto a um terço da copa de uma vez. Oliveiras abandonadas recuperam-se em dois ou três anos, não num só corte. Arrancar oliveiras precisa de autorização; podar, não.
Porque é que a poda da oliveira é diferente
A oliveira é a árvore mais paciente que conhecemos. Aguenta seca, calor, solo pobre e décadas de abandono, e volta sempre. Mas é também uma árvore que reage a cada corte, e uma poda mal feita vê-se durante anos: ou a árvore enche-se de ladrões e deixa de dar azeitona, ou fica com a copa tão fechada que a mosca e a gafa tomam conta dela.
No Algarve temos de tudo. Quintas em Silves e São Bartolomeu de Messines com olivais de produção, oliveiras centenárias em jardins de moradia em Lagoa e Loulé compradas como peça de decoração, e oliveiras jovens plantadas há cinco anos em jardins mediterrânicos de Albufeira e Lagos. Cada caso tem uma poda diferente, e este guia passa por todos.
Quando podar oliveiras
A regra geral é podar no fim do inverno e início da primavera, depois de passar o risco de geada e antes de a árvore florir. No Algarve, isso quer dizer de meados de fevereiro a fim de março. No interior do concelho de Silves e na serra, onde ainda há geadas em fevereiro, esperamos um pouco mais. Na costa, a partir de fevereiro já se pode avançar.
Porquê nesta janela? A árvore está em repouso, a seiva ainda não subiu com força, as feridas cicatrizam depressa com o calor que vem a seguir e a oliveira ainda tem tempo de formar flor nos ramos que ficam. Podar em novembro ou dezembro, logo depois da apanha, é tentador e muitos fazem, mas uma geada forte sobre cortes frescos pode queimar ramos inteiros.
- Fevereiro a março: época principal de poda no Algarve
- Abril em diante: só retirar ladrões e rebentos do pé, com as mãos ou tesoura pequena
- Verão: nunca podar. A árvore está sob stress hídrico e os cortes grandes abrem a porta a pragas e queimaduras de sol
- Outono: possível em oliveiras ornamentais que não dão fruto, mas o inverno a seguir pode trazer surpresas
Os três tipos de poda
Poda de formação (árvores jovens)
Nos primeiros três a cinco anos, o objetivo é construir a estrutura: um tronco limpo até cerca de um metro e três ou quatro pernadas principais bem distribuídas, abertas, como os dedos de uma mão virada para cima. Corta-se pouco. Retiram-se os rebentos do pé e do tronco, escolhem-se as pernadas e deixa-se a árvore crescer. Uma oliveira jovem podada demais demora mais a produzir.
Poda de produção (árvores adultas)
É a poda anual ou bienal de uma oliveira em plena produção. O objetivo é manter a copa aberta e arejada, com luz a chegar ao interior, porque a oliveira dá fruto nos ramos do ano anterior que apanham sol. Retira-se a madeira seca, os ramos que se cruzam, os que crescem para dentro e para baixo, e parte dos ramos que já deram fruto e ficaram pendentes. A copa fica em forma de taça ou vaso, com o centro vazio.
A oliveira tem um hábito chamado alternância: um ano carrega muito, no seguinte descansa. Uma poda regular e equilibrada reduz essa oscilação. Nos anos de carga grande poda-se um pouco mais; nos anos de pouca carga, menos.
Poda de renovação (árvores abandonadas ou envelhecidas)
É o caso mais comum nas quintas que os nossos clientes compram em Silves, Messines ou Paderne: oliveiras com dez ou vinte anos sem poda, copa fechada, ramos secos no meio, altura de seis ou sete metros e uma floresta de ladrões. A tentação é cortar tudo de uma vez. É um erro. Uma oliveira que perde mais de metade da copa num só corte responde com centenas de rebentos vigorosos e sem fruto, e demora anos a equilibrar.
A renovação faz-se em dois ou três anos. No primeiro, retira-se a madeira seca, abre-se o centro e baixa-se a altura de uma ou duas pernadas. No segundo, tratam-se as outras pernadas e selecionam-se, entre os rebentos que a árvore lançou, os que vão formar a nova copa. No terceiro, afina-se. No fim, tem uma oliveira com três ou quatro metros, apanhável, arejada e a produzir.
Como podar: passo a passo
- Olhe para a árvore inteira antes de cortar. Dê uma volta completa. Identifique as pernadas principais e o que está seco, partido ou a cruzar.
- Comece pela madeira morta, doente e partida. Isto nunca é demais.
- Retire os ladrões: os ramos verticais, vigorosos, com folhas grandes, que nascem no tronco e na parte de cima das pernadas. Não dão fruto e roubam seiva. Cortam-se rentes, na base.
- Retire os rebentos do pé, à volta do tronco, junto ao chão.
- Abra o centro. Corte os ramos que crescem para o interior da copa e os que se cruzam. A luz e o ar têm de entrar.
- Baixe a altura se for preciso, cortando as pontas das pernadas acima de um ramo lateral bem colocado, nunca deixando um toco.
- Aligeire a periferia: retire alguns ramos pendentes que já deram fruto, deixando os ramos do ano, que vão florir.
- Pare quando tiver tirado cerca de um quarto da copa. Se ainda acha que falta muito, é trabalho para o ano que vem.
Como fazer o corte
Cortes limpos, com ferramenta afiada, junto à inserção do ramo mas sem ferir o colar (a zona ligeiramente inchada onde o ramo nasce). Em ramos grossos, corte primeiro por baixo para o ramo não rasgar a casca ao cair, depois por cima. Em cortes com mais de cinco centímetros de diâmetro aplicamos um selante, sobretudo em oliveiras ornamentais onde a cicatriz fica à vista.
Desinfete as ferramentas entre árvores, com álcool ou lixívia diluída. A tuberculose da oliveira, uma bactéria que provoca tumores nos ramos, passa de árvore para árvore nas tesouras e nas serras. Se vir nós e galhas nos ramos, corte-os bem abaixo da zona afetada e queime-os.
Oliveiras ornamentais em jardins
A oliveira tornou-se a árvore de jardim mais procurada no Algarve, e com razão: aguenta a seca, gosta de sol, vive em qualquer solo e fica bem com lavanda, alecrim e gravilha. Em jardins de moradia a poda tem outro objetivo: forma, não fruto. Mantém-se a copa redonda ou em nuvem, retiram-se os ladrões duas vezes por ano e cuida-se do tronco, que em oliveiras velhas é a parte mais bonita.
Uma coisa a saber se comprou uma oliveira centenária transplantada: a árvore foi podada drasticamente no viveiro para aguentar o transplante e vai lançar muitos rebentos nos primeiros anos. É normal. Vão-se escolhendo os melhores e retirando os outros, até a copa estar formada. Não a deixe fechar.
Erros comuns
- Cortar demais de uma vez. A oliveira responde com ladrões e deixa de produzir.
- Deixar tocos. Secam, apodrecem e são porta de entrada para fungos.
- Podar no verão ou em dias de geada.
- Fechar a copa. Sem luz no interior não há azeitona e as pragas instalam-se.
- Tirar os ramos do ano, que são os que vão dar flor, e deixar os ramos velhos pendentes.
- Trabalhar com motosserra em cima de um escadote. Uma oliveira grande poda-se com plataforma ou com corda. Os acidentes com escadotes são dos mais comuns que vemos.
- Esquecer as ferramentas sujas. A tuberculose da oliveira espalha-se assim.
A lei: podar pode, arrancar precisa de autorização
Podar oliveiras, mesmo de forma severa, não precisa de nenhuma licença. Arrancar ou abater oliveiras, sim. O Decreto-Lei n.º 120/86 protege o olival em Portugal e obriga a pedir autorização à Direção Regional de Agricultura (no nosso caso a DRAP Algarve) antes de arrancar oliveiras, mesmo em terreno privado e mesmo que seja só uma. Há exceções para árvores mortas ou doentes e para obras licenciadas, mas convém pedir sempre. Quando um cliente nos pede para retirar oliveiras, tratamos primeiro do pedido.
A mesma lógica aplica-se, com ainda mais força, a sobreiros e azinheiras, que dependem do ICNF. Explicamos isto no guia sobre licenças para corte de árvores em terreno particular.
O que fazer com os ramos
A lenha de oliveira é das melhores para lareira e para grelhar. Os ramos finos trituram-se e servem de cobertura para o próprio olival ou para canteiros do jardim. O que não deve fazer é deixar montes de ramos no terreno durante o verão: além de serem combustível em época de incêndios, a lei da limpeza de terrenos não o permite junto a habitações. Em podas de quintas, trituramos no local e levamos o que o cliente não quer.
Quanto custa a poda de oliveiras
Depende do número de árvores, do tamanho, do estado (uma oliveira podada todos os anos é meia hora; uma abandonada há quinze anos é meio dia) e do que se faz com os ramos. Em olivais de quinta fazemos preço por árvore, que baixa com a quantidade. Em oliveiras ornamentais de jardim, preço por trabalho. Em qualquer caso, a visita e o orçamento são gratuitos.
Precisa de ajuda com isto?
Fazemos este trabalho todas as semanas no Algarve. Orçamento gratuito no próprio dia.





